Inadimplência tem pequena queda e atinge 74,80 milhões de consumidores em junho, aponta CNDL e SPC Brasil
Após meses de recorde, o Brasil teve uma pequena queda no número de consumidores inadimplentes em junho, com 74,80 milhões de brasileiros com cotas em atraso. O dado faz parte do Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil. Este volume representa 44,62% da população adulta brasileira. A variação anual observada em junho deste ano ficou abaixo da observada no mês anterior. Na passagem de maio para junho, o número de devedores caiu ‐0,30%.

O crescimento do indicador anual se concentrou no aumento de inclusões de devedores com tempo de inadimplência de 4 a 5 anos (38,32%).

“Apesar de observarmos um pequeno fôlego momentâneo no indicador, a realidade do mercado de crédito brasileiro permanece em um patamar grave. O cenário de inadimplência no país reflete um sufoco orçamentário crônico, onde o cidadão comum enfrenta uma batalha diária para equilibrar as receitas domésticas diante de despesas básicas cada vez mais pesadas. Esse descompasso corrói a capacidade de equilíbrio e de pagamento das famílias, transformando o ato de fechar as contas do mês em um difícil desafio”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.
Dívidas por região, faixa etária e gênero
A maior concentração de devedores está entre 30 e 39 anos, somando 18,15 milhões de pessoas. Isso significa que mais da metade (53,55%) da população nesta faixa etária está negativada.
A distribuição é equilibrada, com leve predominância feminina: sendo 51,34% mulheres e 48,66% homens.

Observando os resultados por região, o Sul apresentou a alta mais expressiva no número de inadimplentes na comparação anual, com crescimento de 10,67%, seguido pelo Norte (8,57%), Centro‐Oeste (6,89%), Sudeste (6,43%) e Nordeste (3,96%).

Em junho de 2026, cada inadimplente devia, em média, R$ 5.152,52. Além disso, cada devedor possui dívidas com cerca de 2,33 empresas credoras.
Os dados ainda mostram que quase três em cada dez consumidores (29,23%) tinham dívidas de valor de até R$ 500, percentual que chega a 41,52% quando se fala de dívidas de até R$ 1.000.

“Essa pequena oscilação não anula a gravidade dos nossos gargalos econômicos e estruturais. O volume de brasileiros com restrições no nome evidencia barreiras profundas que vão desde a informalidade no mercado de trabalho até a falta de uma educação financeira disseminada. Para o comércio e para a economia como um todo, isso acende um alerta contínuo sobre a necessidade de reformas e medidas que melhorem a renda real da população, pois o endividamento atual atua como uma âncora que trava o consumo e a recuperação econômica sustentável do país”, destaca o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.
Em junho de 2026, o número de dívidas em atraso no Brasil teve crescimento de 13,32% em relação ao mesmo período de 2025. O dado observado em junho deste ano ficou abaixo da variação anual observada no mês anterior.
Na passagem de maio para junho, o número de dívidas apresentou recuo de ‐0,59%.

Abrindo a evolução do número de dívidas por setor credor, destacou‐se a evolução das dívidas com o setor de Água e Luz com crescimento de 22,16%, seguido de Comunicação (17,16%) e Bancos (11,42%) Em outra direção, as dívidas com o setor credor de Comércio (‐0,14%) apresentaram queda no total de dívidas em atraso.
Em termos de participação, o setor credor que concentra a maior parte das dívidas é o de Bancos, com 65,76% do total. Na sequência, aparece Água e Luz (10,78%), o setor de Outros com 9,45% e Comércio com 8,29% do total de dívidas.

Na abertura por região em relação ao número de dívidas, a maior alta veio da região Sul (17,06%), seguida pelo Norte (15,45%), Centro‐Oeste (12,69%), Sudeste (12,48%) e Nordeste (9,10%).

Em termos regionais, o maior percentual de inadimplentes está na região Norte, onde 48,45% da população adulta está incluída em cadastros de devedores. Por outro lado, na região Sul, a proporção de negativados equivale a 40,53% da população adulta.

Sobre a CNDL
Criada em 1960, a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) é formada por Federações de Câmaras de Dirigentes Lojistas nos estados (FCDLs), Câmaras de Dirigentes Lojistas nos municípios (CDLs), SPC Brasil e CDL Jovem, entidades que, em conjunto, compõem o Sistema CNDL. É a principal rede representativa do varejo no país e tem como missão a defesa e o fortalecimento da livre iniciativa. Atua institucionalmente em nome de mais de 500 mil empresas, que juntas representam 9% do PIB brasileiro e 17% do PIB do setor, geram 7 milhões de empregos e movimentam R$ 600 bilhões por ano.
Sobre o SPC Brasil
Há mais de 60 anos no mercado, o SPC Brasil é um dos mais tradicionais bureaux de crédito da América Latina, com uma robusta base de dados com informações de crédito de pessoas físicas e jurídicas. É a plataforma de inovação do Sistema CNDL para apoiar empresas em conhecimento e inteligência para crédito, identidade digital e soluções de negócios. Possui 232 milhões de CPFs no seu banco de dados, 57 milhões de CNPJs cadastrados e 120 milhões de consultas por mês. Oferece serviços que geram benefícios compartilhados para sociedade, ao auxiliar na tomada de decisão e fomentar o acesso ao crédito. É também referência em pesquisas, análises e indicadores que mapeiam o comportamento do mercado, de consumidores e empresários brasileiros, contribuindo para o desenvolvimento da economia do país.
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Marina Barbosa
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